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14/06/2017

Venda do Original pode esbarrar em dívida com FGC

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

O processo de venda do Banco Original pode esbarrar na dívida que os donos do frigorífico JBS, controladores da instituição, têm com o fundo garantidor de créditos (FGC). O valor atualizado da dívida, contraída em 2011 para financiar a aquisição do Banco Matone, é da ordem de R$ 3,5 bilhões, bem acima da avaliação esperada para o Original em uma eventual venda, segundo fontes. Procurados, o banco e o FGC não comentaram o assunto.

O Original fechou o primeiro trimestre com patrimônio líquido de R$ 2,1 bilhões. A expectativa é que qualquer negócio envolvendo o banco gire em torno desse valor, provavelmente para baixo. De todo modo, restaria um saldo dessa dívida com o fundo, que pode ou não ser incluída em uma eventual negociação.

O fundo garantidor emprestou R$ 1,85 bilhão aos controladores da JBS para financiar a compra do Matone, que estava com problemas de capital. O crédito foi concedido pelo prazo de 15 anos, ao custo de CDI (equivalente à Selic), com pagamento do principal apenas no vencimento.

O contrato da dívida contraída pelos donos da JBS prevê que qualquer mudança no controle do Original precisa passar pelo aval do FGC, conforme apurou o Valor. Mas as conversas para uma possível venda do banco ainda não teriam chegado ao fundo. O empréstimo possui garantia em ações do frigorífico. Com base nas cotações de ontem na bolsa, a participação dos controladores da JBS valia aproximadamente R$ 7,8 bilhões.

Conforme informou o Valor na edição de terça-feira, o Santander avalia fazer uma oferta pela instituição, que possui R$ 8,2 bilhões em ativos, de olho principalmente nas operações do banco no agronegócio. Procurado, o Santander informou que não comenta rumores de mercado. O Original informou desconhecer o assunto.

Embora o Original não enfrente problemas imediatos de liquidez, a avaliação é que o controle precisa mudar de mãos depois que seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, confessaram crimes de corrupção e fizeram um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

O Original se tornou conhecido do grande público no ano passado, quando deu início a um projeto de banco digital, em um modelo sem agências e com todo o relacionamento com o cliente feito pelo telefone celular. Em março deste ano, o banco contava com uma base de 230 mil contas, o que ampliou a captação do banco entre pequenos investidores.

A plataforma do Original é considerada boa, mas os principais bancos de varejo – e potenciais candidatos à compra do banco – já possuem iniciativas na área. O destino da marca Original é outra dúvida em uma eventual negociação. O banco vendeu os direitos do nome aos controladores, em uma operação que rendeu R$ 365,7 milhões e ajudou a instituição a fechar o ano passado no azul.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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