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02/06/2017

Supermercados têm alta real de 0,5% até abril; previsão do ano pode mudar

Por Adriana Mattos | De São Paulo

As vendas do setor supermercadista, em termos reais, acumularam alta de 0,5% de janeiro a abril, sobre o mesmo período do ano anterior, segundo índice nacional publicado ontem pela Abras, associação do setor. Até março, havia queda de 1,4%, e ao se incluir as vendas de abril, o índice passa para o positivo, com 0,5%. É a primeira vez que a taxa acumulada do ano apresenta expansão.

A leve alta reflete o crescimento apurado em abril, mês da Páscoa, quando as vendas subiram 6,27% na comparação com abril de 2016 (deflacionado pelo IPCA). Em relação a março de 2017, a alta é de cerca de 4%. No ano passado a celebração ocorreu em março e neste ano, em abril. Portanto, no quadrimestre, são bases comparáveis.

A Abras considera a hipótese de revisar as estimativas para 2017 após o fechamento do primeiro semestre. A projeção do setor, divulgada no início do ano, é de crescer 1,3%, o que exigiria um ritmo maior de expansão nos próximos meses. “Iremos aguardar o fechamento do primeiro semestre para fazer uma análise do cenário, e assim, poder revisar nossas estimativas”, afirmou João Sanzovo Neto, presidente da Abras, por e-mail ao Valor. Segundo ele, o resultado do quadrimestre está dentro do esperado. Sobre o aprofundamento da crise política e a hipótese de que isso retarde a recuperação econômica, Sanzovo limitou-se a informar que a Abras aguarda “o que irá acontecer”.

“No cenário anterior, tínhamos a expectativa de que o Brasil só começaria a se recuperar no segundo semestre de 2017”, afirmou ele, sem mencionar a estimativa para a economia no cenário atual. “A crise política influencia na confiança do consumidor, porque afeta diretamente a economia. Sobre o efeito no desempenho dos supermercados, a alimentação será sempre o último item a ser cortado […]. O consumidor já substituiu marcas, canais, e não tem mais tanto o que cortar”.

Questionado sobre o efeito da delação dos sócios da J&F, dona da JBS, sobre o setor de supermercados, o presidente da Abras informou apenas que está “estudando o assunto”. Alguns dos associados da entidade têm códigos de conduta que vedam negociações com fornecedores que violam leis.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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