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11/07/2017

Preço emperra a venda da Alpargatas para Cambuhy

Por Carolina Mandl | De São Paulo

Na avaliação de pelo menos dois interessados no ativo, modelo que a holding J&F usou para adquirir a dona da Havaianas torna as conversas mais duras

Depois de discussões no fim de semana, a J&F Investimentos decidiu encerrar as negociações com as holdings de investimento ligadas às famílias dos controladores do banco Itaú Unibanco – Cambuhy e Itaúsa – para a venda da Alpargatas por considerar a proposta feita por elas baixa.

Segundo um executivo a par das tratativas, o preço oferecido pela fabricante de calçados ficou abaixo do que a holding dos irmãos Batista, assessorada pelo Bradesco BBI, esperava receber. Conversas anteriores vinham sinalizando que o negócio seria fechado por uma cifra superior.

No dia 26 de julho, Cambuhy e Itaúsa anunciaram a assinatura de um acordo com a J&F para negociar a compra do controle da Alpargatas. Para essa fonte, dificilmente as negociações seriam retomadas agora entre as partes.

Com a notícia do fracasso das tratativas para a venda, as ações preferenciais da Alpargatas fecharam o dia com queda de 1,07%, a R$ 13,81. Os papéis ordinários também caíram 3,92%, para R$ 13,71. A companhia tinha um valor de mercado de R$ 6,47 bilhões.

Dona de marcas como Havaianas e Osklen, a Alpargatas é um ativo cobiçado por fundos de investimento em participações, como a própria Cambuhy, e até por empresas do setor de vestuário.

Na avaliação de pelo menos dois interessados ouvidos pelo Valor, no entanto, o modelo que a holding J&F Investimentos usou para adquirir a Alpargatas torna as conversas para a venda da fabricante de calçados mais duras. Para adquirir a fatia de 54% da Alpargatas, a holding dos irmãos Batista pagou R$ 3,1 bilhões, valor que foi financiado por bancos.

Em dezembro de 2015, a Caixa Econômica Federal emprestou com dois anos de carência R$ 2,6 bilhões à J&F, recursos que foram usados na compra da participação da Camargo Corrêa. Além disso, para financiar a compra de ações de investidores minoritários, concluída em setembro de 2016, o grupo tomou um empréstimo com o Bradesco. A oferta aos minoritários consumiu R$ 499,5 milhões da J&F.

Todos esses valores são corrigidos por juros, o que pode tornar o preço que a J&F almeja receber maior do que potenciais compradores tenham interesse em pagar, na avaliação de um gestor de fundos de private equity que tem interesse na Alpargatas.

Atualizadas apenas pelo CDI – taxa inferior à cobrada pelos bancos em empréstimos -, essas dívidas valeriam hoje cerca de R$ 3,6 bilhões, preço considerado alto por alguns potenciais compradores. Os cálculos assumem que nenhuma parcela dos empréstimos foi paga ainda.

Ao vender a fabricante das Havaianas, os irmãos Batista devem buscar, no mínimo, liquidar esses empréstimos que tomaram para comprar a companhia. Ações da fabricante de lácteos Vigor e da Alpargatas foram dadas como garantia aos bancos.

Os cálculos dos interessados na Alpargatas também consideram o desempenho da companhia no primeiro trimestre. De janeiro a março, a receita líquida da fabricante de calçados caiu 18,7% na comparação com igual trimestre do ano passado, para R$ 807,5 milhões. Sem itens extraordinários, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) também foi menor. (Colaborou Cibelle Bouças)

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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