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27/04/2017

Lucro do Santander cresce 37% no primeiro trimestre

Por Silvia Rosa e Talita Moreira | De São Paulo

O Santander Brasil abriu a temporada de balanço dos bancos e apresentou um resultado acima do esperado pelo mercado. O lucro líquido do banco somou R$ 2,280 bilhões no primeiro trimestre de 2017, crescimento de 14,7% em relação ao trimestre anterior e de 37,3% ante o mesmo período do ano passado. O resultado societário, que inclui amortização de ágio, foi positivo em R$ 1,824 bilhão, alta de 50,4% em relação ao primeiro trimestre de 2016.

Analistas consultados pelo Valor projetavam, em média, lucro ajustado de R$ 1,865 bilhão. “O Santander manteve seu ritmo de crescimento do lucro em 12 dos últimos 13 trimestres”, apontam os analistas do BB Investimentos.
O Brasil representou 26% do resultado geral do Santander no primeiro trimestre, respondendo pela maior participação.

O banco atingiu um retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROAE, na sigla em inglês) de 15,9%, superando a meta estabelecida pelo banco para 2018, que era de 15,6%. O índice reflete um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e de 3,3 pontos em 12 meses. “O balanço confirma a percepção geral de que o Santander continua a reduzir a diferença de rentabilidade em relação ao pares privados e essa diferença se estreitará antes do que o inicialmente esperado”, destacam os analistas do BTG Pactual em relatório.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, afirmou que o banco ainda não definiu uma nova meta, mas deve discutir o assunto até a reunião com investidores em Nova York. “Vamos ter uma reunião com investidores em 10 de outubro e, até lá, vamos ver se precisamos revisar o ‘guidance'”, disse em coletiva com jornalistas.

Rial atribuiu a melhora da rentabilidade ao crescimento de receitas, principalmente no segmento de varejo, à queda da provisão para crédito de liquidação duvidosa e à redução de despesas. Além disso, o banco aumentou em 24,3% as receitas com comissões no trimestre em relação ao mesmo período de 2016, para R$ 3,7 bilhões.

A margem financeira bruta somou R$ 8,868 bilhões, alta de 16,7% em relação ao primeiro trimestre de 2016. Esse avanço é resultado da gestão dos passivos, com melhora das receitas de depósitos, que cresceram 54,3% em 12 meses, e também do item outras margens, que inclui as receitas com a tesouraria, que cresceu 37,6% em 12 meses.

A margem financeira proveniente de operações de crédito foi de R$ 5,590 bilhões entre janeiro e março, ante R$ 5,293 bilhões do primeiro trimestre de 2016.

A carteira de crédito ampliada do banco – que inclui empréstimos e instrumentos como avais e fianças – cresceu 0,8% na comparação com o fim de dezembro, somando R$ 325,426 bilhões. Considerando apenas operações de crédito, houve aumento de 0,1% no trimestre, para R$ 257,2 bilhões.

O crescimento da carteira de empréstimos foi liderado pelos segmentos de pessoas físicas e financiamento ao consumo, que cresceram 2,8% e 2,9%, respectivamente, no primeiro trimestre ante o período anterior.

Isso ajudou a compensar o recuo do financiamento na carteira de pessoa jurídica, com queda de 0,9% no trimestre no segmento de pequenas e de 3,1% no atacado. “A queda da carteira de crédito de pessoa jurídica tem a ver com o dólar e o fato de as grandes empresas estarem se refinanciando e buscando reduzir o custo financeiro”, diz Rial.

Segundo o vice-presidente financeiro do Santander, Angel Santodomingo, o banco procurou ser mais seletivo no crédito para PMEs devido ao cenário econômico ainda incerto. “Temos que ser cuidadosos na seleção adversa do crédito para pequenas e médias empresas. Temos novos players nesse mercado e estamos concentrando atenção no aumento da base desses clientes enquanto mantemos a de grandes empresas”, disse em teleconferência com analistas.

De acordo com Rial, o banco começou a ver um crescimento na carteira de crédito no primeiro trimestre, o que reflete o processo de melhora na economia. O executivo vê um crescimento do PIB acima de 0,4% do consenso do mercado.

Para o executivo, a queda da taxa básica de juros abre a oportunidade de retomada de algumas linhas de crédito como o imobiliário. “Se vamos rumo a uma taxa de juros de um dígito em 2018, é impossível não vermos retomada do financiamento imobiliário. Não é tema para 2017, mas é para 2018.”

O índice de inadimplência, considerando operações com atraso superior a 90 dias, recuou de 3,4% em dezembro para 2,9%. Houve queda significativa na inadimplência de pessoa jurídica, para 1,9% no fim de março, ante 2,7% em dezembro. Segundo o BTG Pactual, esse recuo reflete a baixa contábil de ativos relacionados a Sete Brasil.
Já a inadimplência de pessoas físicas caiu 0,1 ponto percentual no trimestre, fechando março em 4%.

Chamou a atenção, no entanto, a piora do índice de inadimplência antecedente, que considera operações com atrasos de 15 a 90 dias, que subiu de 4,3% em dezembro para 5,5% no fim de março, impulsionado pela piora dos atrasos na carteira de pessoa jurídica. O presidente do Santander afirmou que a alta deveu-se a dois casos específicos e não deve ter impacto na taxa de calotes acima de 90 dias.

Com a queda do índice de inadimplência, as provisões para devedores duvidosos (PDD) recuaram 15,5% no primeiro trimestre ante o período anterior, totalizando R$ 2,264 bilhões.

O banco tem apostado no aumento das transações nos canais digitais. Segundo Rial, o banco deve ultrapassar 1 milhão de clientes da Conta Super em maio.

O total de ativos do Santander era de R$ 713,517 bilhões no fim do primeiro trimestre, com alta de 1,7% em relação a dezembro. O índice de Basileia, indicador de capital bancário, estava em 15,8%. (Colaborou Toni Sciarretta)

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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