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24/07/2017

Juro de um dígito exige rever carteira de renda fixa

Por Adriana Cotias | De São Paulo

Ivens Gasparotto Filho, diretor da Guide Life: juro real da NTN-B ainda é muito alto e deflação não deve se prolongar

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana pode fazer o Brasil revisitar o juro básico na casa de um dígito. Com a inflação cadente, e registros até de deflação, os investidores acostumados a extrair ganhos significativos em estratégias de renda fixa mais conservadoras sem levar muitos sustos terão que vencer um dilema: se mover em direção a novos riscos ou se conformar com um outro padrão de rentabilidade.

A se confirmar os prognósticos mais recentes de aceleração do alívio monetário, a Selic pode amanhecer na quinta-feira a 9,25% ao ano, dos 10,25% atuais – ou em 9,5% se o Banco Central (BC) adotar um viés mais conservador. Tanto em um caso quanto no outro, não será o fim do mundo, os retornos em títulos públicos prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação não vão se tornar desprezíveis da noite para o dia. Mas a linha d’água do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, o juro interbancário) a 1% ao mês terá ficado para trás.

Quem tem Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B ou Tesouro IPCA+) em carteira e viu o valor dos títulos se depreciar no mês passado, pós-delação do grupo JBS, agora se depara com uma situação impensável um ano atrás: a economia rodando com deflação – o IPCA-15, uma espécie de prévia para o índice oficial de inflação, caiu 0,18% em julho, depois de o IPCA, que vale de fato para o programa de metas do BC, fechar junho com recuo de 0,23%.

O aparente prejuízo não tira o apelo dos papéis indexados à inflação, segundo Fernando Lovisotto, sócio da Vinci Partners, e essa pode ser uma última oportunidade para garantir juros reais na casa dos 5% ao ano por um período longo.

“Se comprar agora, o investidor não estará tão atrasado porque a inflação caiu, mas o juro real não cedeu tanto”, afirma. “E a inflação tão baixa não vai se perpetuar, mas também não estamos falando que vá voltar a 6% ou 7% ao ano.”

Na parte dedicada a risco soberano nas carteiras administradas, o executivo prefere as NTN-Bs com vencimento entre 2021 e 2026, que têm taxas indicativas de 4,9% a 5,2% mais a correção pelo IPCA, segundo a Anbima, a entidade que representa o mercado de capitais e de investimentos. “E aqui tem proteção, já que o cenário tem vários riscos. Se acontecer alguma coisa, o investidor está protegido de uma eventual volta da inflação.”

O calendário político é uma das principais preocupações, mas de qualquer forma, prossegue Lovisotto, a percepção é que, em 2018, pela primeira vez, o Brasil vai ter juro real baixo com inflação baixa. “Já tivemos juro real baixo porque a inflação foi alta, agora podemos ter uma situação inédita. Isso pode ser transformador.”

Se no mês passado os títulos indexados à inflação apanharam até do CDI, nos últimos 30 dias já se observa uma recuperação significativa, e, no ano o IMA-B, o índice que representa uma cesta de papéis atrelados ao IPCA, ganha 8,46%, ante 6,21% do CDI.

Se o investidor não precisa da renda proveniente dos pagamentos semestrais e pode carregar os ativos até o vencimento, a NTN-B Principal, com resgate em 2035, é uma alternativa, sugere Ivens Gasparotto Filho, diretor de análise e alocação da Guide Life, divisão de planejamento financeiro da Guide Investimentos. No Tesouro Direto esses papéis eram cotados a 5,27% na sexta-feira.

“É uma taxa real muito alta se pensar que no começo do ciclo [de corte da Selic] não estava muito acima de 6%”, afirma. Ele cita que por se tratar de dívida soberana, em tese, tem baixo risco de crédito, mas estará sujeita a oscilações no meio do caminho. É de se esperar que tenha algum mês negativo, já que na composição de preços interferem os índices de custo de vida, a Selic e os próprios soluços do mercado – vide o tombo de até 20% no “day after” do vazamento da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, em meados de maio.

Apesar de a deflação recente tornar o carregamento desses ativos mais desfavorável no curto prazo, o especialista lembra que o aplicador não deve extrapolar tal situação como se fosse definitiva. “O Brasil ainda tem taxas de juros muito altas e o governo a ferramenta para estimular a economia reduzindo a Selic.”

Para Claudio Sanches, diretor de investimentos do Itaú Unibanco, o mais recomendável são os indexados ao IPCA de curto prazo para atravessar o momento de volatilidade. Mesmo que a inflação baixa impacte o retorno, os títulos podem ganhar com a queda de juros, além de oferecer alguma defesa se um movimento inesperado surpreender o mercado.

Segundo o executivo, apesar de boa parte do potencial de queda da Selic já ter sido incorporada aos preços do mercado, ainda há espaço para baixas adicionais mesmo nos prefixados. Entre esses ativos também é melhor escolher os vencimentos mais curtos, já que os títulos longos podem ter uma relação assimétrica entre risco e retorno, pesando mais para o risco. “No longo prazo ainda há pouca visibilidade sobre a trajetória das contas públicas e da economia, o que teria impacto direto sobre a inflação e a curva de juros.”

Apesar dos prêmios mais minguados, ainda há retornos para extrair nos prefixados, acrescenta Filho, da Guide Life. Conforme exemplifica, a Letra do Tesouro Nacional (LTN ou Tesouro Prefixado) com vencimento em 2023 tem uma taxa de 9,87% – ante os 8% ao ano projetados no boletim Focus do BC. Considerado-se o preço unitário dos títulos na sexta, a R$ 600,35, no vencimento o aplicador terá um ganho bruto acumulado de quase 67%.

Já o diretor da Ativa Wealth Management, Arnaldo Curvello, acha que o momento para os prefixados já passou, que esse tipo de risco ficou assimétrico podendo levar as taxas para cima em até 200 pontos básicos, como se viu no episódio Temer/JBS, causando uma desvalorização para o valor dos ativos. “Vai acontecer de novo. É mais provável que se veja em algum momento a taxa a 12% do que a 7%.”

Com a política monetária cumprindo o seu papel, ele diz que o investidor tende a sair de aplicações superconservadoras na renda fixa para colocar o dinheiro em ativos com maior retorno potencial, como ações ou crédito privado. “Ou a pessoa se adapta a viver com taxas de juros mais baixas ou vai tomar mais risco e escolher um portfólio para o seu perfil”, diz. Quem tem posições em títulos públicos, por exemplo, tem a opção de acruar os juros até o vencimento ou aproveitar os ganhos capturados nesse intervalo de redução da Selic para embolsar o lucro e buscar uma melhor eficiência para o seu capital.

Em crédito privado, o especialista sugere os ativos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – que assegura R$ 250 mil por CPF -, como CDB, letras de câmbio ou letras de crédito imobiliário e do agronegócio. “Se considerar um CDI a 9%, é possível obter um retorno de 35% a 50% acima disso.” Na parcela de renda fixa da carteira recomendada, 40% hoje já corresponde a esse tipo de risco, o dobro do que tinha quando a taxa Selic estava a 14,25%.

Lovisotto, da Vinci, também vê menor gordura nos títulos prefixados do governo e tem privilegiado créditos estruturados, como fundos lastreados em recebíveis imobiliários, fazendo uma seleção caso a caso.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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