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01/08/2017

Instituição e XP veem ganho à concorrência

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

A compra da participação minoritária na corretora XP Investimentos pelo Itaú Unibanco não só não representa uma ameaça como vai estimular a concorrência no mercado de plataformas independentes de investimento. O argumento foi apresentado pelas instituições ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Itaú e XP pediram a aprovação do negócio sem restrições pelo órgão antitruste.

O Itaú fechou a compra da participação na XP em maio deste ano, por R$ 6,3 bilhões. Caso o negócio seja aprovado pelos reguladores, o maior banco privado brasileiro deterá 49,9% do capital e 30,1% das ações com direito a voto da corretora.

No formulário de notificação da operação, as instituições defendem que o modelo de plataformas abertas crescerá exponencialmente, e que a entrada do banco não deve ser vista como uma ameaça.

“Pelo contrário: o investimento do Grupo Itaú Unibanco na XP Investimentos tem sido visto pelo mercado como um reconhecimento do sucesso e do valor do modelo de negócios do Grupo XP, em última linha fomentando a concorrência”, escrevem os advogados das instituições, na notificação ao Cade.

O contrato entre Itaú e XP prevê o aumento da participação do banco para até 74,9% do capital e 49,9% das ações ordinárias da companhia em 2022. “A gestão e a condução dos negócios de todas as sociedades do Grupo XP continuarão a ser determinados pelas mesmas pessoas que hoje comandam o grupo”, de acordo com as informações do pedido de análise feito ao Cade, protocolado no dia 18 de julho.

Os advogados que representam Itaú e XP afirmam que em nenhum dos negócios nos quais haverá sobreposição as empresas possuem participação de mercado superior a 30%. O percentual considera a compra dos negócios de varejo do Citibank, anunciada pelo Itaú no ano passado. A operação ainda aguarda a aprovação definitiva do Cade.

Para Itaú e XP, o mercado de plataformas independentes está em franca expansão e apresenta baixa barreira de entrada. “A entrada do Itaú Unibanco irá acelerar o aparecimento de novos operadores independentes de investimentos (seguindo o mesmo modelo do Grupo XP), contribuindo para o processo de desintermediação bancária de distribuição de produtos de investimento no Brasil”, diz o texto do documento enviado ao Cade.

O órgão de defesa da concorrência possui prazo de até 240 dias, prorrogáveis por mais 90, para se pronunciar sobre a operação. Procurados, Itaú e XP não comentaram o assunto.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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