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12/05/2017

Incorporadoras têm 1º tri de perdas

Por Chiara Quintão | De São Paulo

As incorporadoras focadas nos segmentos de médio e alto padrão que divulgaram resultados do primeiro trimestre, ontem, após o fechamento do mercado, apresentaram piora dos respectivos resultados líquidos e queda na receita líquida. O menor volume de obras foi uma das principais razões para esse desempenho. Cyrela e EZTec apresentaram queda do lucro, enquanto Rodobens Negócios Imobiliários (RNI) e Helbor reverteram lucro em prejuízo líquido.

A Cyrela apresentou lucro líquido atribuído a sócios da empresa controladora de R$ 4 milhões, o que representa queda de 93,4% no primeiro trimestre ante igual intervalo de 2016, para R$ 4 milhões. A receita líquida caiu 14,6% no trimestre, para R$ 692 milhões, como consequência de menos vendas.

O custo de bens e serviços prestados pela Cyrela caiu 9,7% no trimestre, para R$ 477 milhões. A companhia teve impacto na receita por economia líquida de obra de R$ 29 milhões. A margem bruta passou de 34,8% para 31,1%. A margem bruta ajustada caiu de 41% para 37,5%. As despesas gerais e administrativas subiram 4,6% para R$ 100 mi. O resultado financeiro caiu 35%, para R$ 13 milhões.

O resultado líquido da Cyrela foi afetado também por impactos positivos de R$ 8 milhões da sua participação no lucro da Cury, da qual tem 50%, e de R$ 19 milhões da venda de dois terrenos. Por outro lado, houve efeito líquido negativo de R$ 1 milhão por reconhecimento da operação com a Tecnisa e impacto negativo de R$ 5 milhões do empreendimento Grand Parc, em Vitória.

A Cyrela gerou caixa de R$ 158 milhões de janeiro a março.

O lucro líquido da EZTec caiu 57%, para R$ 31,57 milhões. Com menos lançamentos e menor execução de obras, a receita líquida teve queda de 36%, para R$ 96,5 milhões. A margem bruta ficou estável em 47,2%. Foi possível manter a margem, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec, Emilio Fugazza, porque a economia de custos compensou os descontos concedidos para estimular vendas.

No trimestre, o preço médio por metro quadrado dos imóveis da EZTec foi de R$ 7.037, 10% abaixo do praticado um ano atrás. A diferença resulta de descontos e do mix de produtos vendidos. O financiamento direto para evitar parte dos distratos chegou a R$ 311 milhões no fim de março.

Os próximos lançamentos serão focados nas classes média-alta e alta. A EZTec não fez lançamentos no primeiro trimestre. Números não auditados apontam que, no empreendimento lançado em abril, as vendas chegam a 41%. A EZTec gerou caixa de R$ 30,9 milhões no trimestre.

A RNI teve prejuízo de R$ 26,41 milhões de janeiro a março. A receita líquida caiu 16%, para R$ 74,67 milhões, com menos obras em curso, descontos e dos distratos. A margem bruta passou de 20%, no primeiro trimestre de 2016, para 1,4% em igual intervalo deste ano.

A RNI voltou a concentrar suas atividades em São José do Rio Preto (SP), o que possibilita diminuir as despesas gerais e administrativas com menos viagens e corte de pessoal. A companhia estima queda nos gastos com folha de pagamento de cerca de 50% a partir deste mês. A RNI gerou caixa de R$ 37 milhões no trimestre.

A Helbor apresentou prejuízo líquido de R$ 48,72 milhões de janeiro a março. A receita líquida caiu 34,9%, para R$ 189,2 milhões. A margem bruta passou de 15,2% para o patamar negativo de 1,6%.

O prejuízo da Rossi aumentou 15%, para R$ 162,88 milhões. A receita líquida cresceu 29%, para R$ 138,62 milhões, enquanto o custo dos imóveis e serviços vendidos cresceu 25,9%, para R$ 141 milhões. A margem bruta ficou negativa em 1,7%, ante o indicador também negativo de 4,6% no primeiro trimestre do ano passado.

Desde o segundo semestre de 2014, a Rossi reduziu seu quadro de funcionários administrativos em 66%. A Rossi teve prejuízo financeiro líquido de R$ 77,5 milhões, 56% superior ao de um ano antes. No fim de março, a Rossi tinha alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido de 352,9%. A incorporadora gerou caixa de R$ 16,8 milhões.

A Rossi não lançou produtos de janeiro a março. As vendas líquidas cresceram 277,4%, para R$ 105,3 milhões. Os distratos da empresa tiveram queda de 25%, para R$ 124,3 milhões.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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