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28/04/2017

Empresa do BB compra R$ 4 bilhões em créditos ‘podres’ do Bradesco

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

A Ativos, empresa controlada pelo Banco do Brasil, adquiriu um total de R$ 4 bilhões em carteiras de crédito vencidas do Bradesco, conforme apurou o Valor. A operação foi realizada no fim do ano passado, mas foi contabilizada em duas etapas, nos balanços do Bradesco no quarto trimestre do ano passado e nos três primeiros meses deste ano. Procurado, o banco confirmou a operação de venda, mas sem dar detalhes sobre o comprador ou as condições. O BB não comentou o assunto.

As carteiras compradas pela empresa do BB são antigas e considerados de difícil recuperação, originadas há pelo menos dez anos. Parte dos financiamentos pertencia ao antigo Banco Zogbi, adquirido pelo Bradesco em 2003. A venda dos créditos “podres” ocorreu em um processo em leilão no qual participaram várias empresas especializadas na recuperação de crédito.

A Ativos ofereceu o maior preço no processo e pagou pouco mais de R$ 80 milhões ao Bradesco pela carteira, o equivalente a pouco mais de 2% do valor de face. O preço foi considerado caro por duas fontes que participaram do processo e avaliaram os créditos. Para ganhar dinheiro com o negócio, a empresa do BB precisará recuperar um valor maior que o pago pela carteira, descontados os custos para localizar e cobrar os devedores.

O problema é que o incentivo para o devedor quitar os financiamentos cai muito após os cinco anos de atraso, quando o nome dele deixa a lista de “negativado” nos serviços de proteção ao crédito. Por outro lado, a Ativos tem experiência em operar com financiamentos mais antigos, o que confere à empresa uma vantagem em relação aos concorrentes nesse mercado.

A venda de carteiras de crédito vencidas é uma prática que começa a ser adotada com cada vez mais frequência pelos grandes bancos brasileiros. O Itaú Unibanco intensificou esse tipo de operação após a compra da Recovery, empresa de recuperação que pertencia ao BTG Pactual. No ano passado, banco cedeu um total de R$ 13 bilhões em créditos para a companhia. Em uma das operações, os créditos foram vendidos por 0,3% do valor de face.

O Bradesco não tem como prática vender créditos a terceiros. A operação realizada com a Ativos foi apenas a segunda na história da instituição. Embora o valor recebido seja pouco relevante para os resultados, a operação permitiu ao banco desligar os sistemas ligados ao Zogbi, sobre os quais ainda pagava pela licença de uso. Como os créditos já estavam fora do balanço, a venda não influencia os índices de inadimplência, mas possibilitará ao banco reverter provisões de clientes vinculadas aos financiamentos antigos.

O BB constituiu a Ativos em 2003, inicialmente para lidar com os próprios financiamentos em atraso. Apenas no ano passado, o BB cedeu R$ 5,6 bilhões em créditos já baixados a prejuízo para a empresa controlada. Em 2015, a Ativos começou a adquirir créditos de outras instituições. A primeira operação do tipo foi com a Caixa Econômica Federal.
Ao incorporar créditos de outros bancos, a empresa também ganha mais escala para operar. O negócio da Ativos é relativamente pequeno em relação ao tamanho do BB. No ano passado, a companhia registrou lucro líquido de R$ 156 milhões, praticamente estável em relação a 2015.

Além da carteira do Bradesco, a empresa do BB também levou recentemente uma carteira de créditos vendida pelo Santander, com valor de face da ordem de R$ 1,3 bilhão, segundo fontes. Procurado, os bancos não comentaram o assunto.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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