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01/06/2017

Eldorado reverte prejuízo e lucra no 1º trimestre

Por Stella Fontes | De São Paulo

A Eldorado Brasil, produtora de celulose de eucalipto da J&F Investimentos, dona da JBS, teve lucro líquido de R$ 178 milhões no primeiro trimestre, comparável a prejuízo de R$ 171 milhões um ano antes, apesar da piora no desempenho operacional. A companhia, que em 15 de maio já havia divulgado alguns dados operacionais, encaminhou ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) balanço trimestral não auditado.

Conforme a Eldorado, o atraso na publicação das demonstrações financeiras anuais, o rodízio obrigatório de auditoria — da KPMG para a BDO – e procedimentos adicionais decorrentes de acordos de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista e de leniência da controladora J&F impossibilitaram a divulgação do balanço trimestral revisado pelo auditor.

No entendimento da companhia, a publicação dos resultados não auditados neste momento afasta o risco de antecipação de vencimento de dívidas por descumprimento do prazo legal (que era 31 de maio).

De janeiro a março, a receita líquida da Eldorado caiu 11% na comparação anual, para R$ 696 milhões, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 19%, a R$ 357 milhões, com margem Ebitda de 51%. O preço mais baixo da celulose no mercado internacional e a valorização do real frente ao dólar mais que compensaram o maior volume vendido e a redução do custo caixa de produção.

No trimestre, a Eldorado produziu 433 mil toneladas de celulose e vendeu 434 mil toneladas, alta de 23%. Os dois volumes são recorde para a companhia. Já o custo caixa de produção caiu 16% na comparação anual, a R$ 533 por tonelada, um dos mais baixos patamares da indústria.

A empresa encerrou o trimestre com alavancagem financeira de 5,1 vezes, praticamente estável na comparação com as 4,9 vezes de dezembro. Isso significa que a dívida líquida em março equivalia a pouco mais de cinco vezes o resultado operacional anualizado.

O índice é alto, mas administrável, diz o presidente José Carlos Grubisich. “A Eldorado está preparada para enfrentar o cronograma de vencimentos.” No fim do trimestre, a companhia tinha aproximadamente R$ 1 bilhão em caixa e equivalentes e a expectativa, de acordo com o executivo, é a de aceleração na geração de caixa. “A partir do segundo trimestre, além do ganho de competitividade [com a redução do custo caixa], começamos a ter o benefício do preço de venda melhor”, afirma Grubisich. Ao fim de março, a dívida líquida da Eldorado era de R$ 7,72 bilhões, com queda de 2% em três meses.

Segundo o executivo, a companhia intensificou o contato com bancos após a divulgação do acordo de delação premiada dos controladores e não tem encontrado dificuldades nas conversas com as instituições financeiras.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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