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21/07/2017

Cambuhy enfrenta seu maior teste com Alpargatas

Por Graziella Valenti e Carolina Mandl | De São Paulo

Havaianas, marca que mais identifica o Brasil no mercado global de consumo, trocou de mãos após venda da Alpargatas

A gestora de recursos Cambuhy Investimentos, badalada por contar com dinheiro do banqueiro Pedro Moreira Salles, vai enfrentar seu maior teste de resultado até agora com a Alpargatas. Ao assumirem a Havaianas, marca que mais identifica o Brasil no mercado global de consumo, será a primeira vez que os quatro fundadores – Marcelo Medeiros, Marcelo Barbará e Pedro Luiz Bodin, além de Moreira Salles – vão ter a chance de imprimir praticamente sozinhos o modelo da gestão.

Mesmo experientes e reconhecidos individualmente no mercado financeiro, o time ainda não consegue ser identificado pelos seus pares por um estilo definido de administração.

Comprada do grupo J&F Investimentos por R$ 3,5 bilhões, em sociedade com a Itaúsa e a Brasil Warrant, da família Moreira Salles, a Alpargatas é a terceira aquisição (segunda, visando atuação como controladora) e fará o valor administrado em participações em empresas pela gestora fique perto de R$ 2 bilhões.

A Cambuhy tem hoje cerca de R$ 800 milhões aplicados em Eneva, a ex-MPX de Eike Batista, e terceira maior geradora de energia do país, e menos de R$ 200 milhões em uma fatia da varejista têxtil Hering.

Com a recente tacada, a gestora criada em 2011 alcançou – e até ultrapassou – sua meta inicial de investir na compra de empresas US$ 1 bilhão, ou R$ 1,5 bilhão ao câmbio da época.

A cifra em reais ainda é um parâmetro para os sócios, segundo o Valor apurou. Por isso, eles estão, neste momento, decidindo se partirão já para uma terceira aquisição, o que exigirá aumento da equipe, ou se farão um intervalo ao assumirem a Alpargatas.

Os alvos potenciais são mantidos em segredo e não há preferência declarada por nenhum setor. O único gosto assumido da Cambuhy é por companhias protagonistas em seus ramos de atuação, líderes e, mesmo assim, ainda com uma “avenida de crescimento pela frente”. É assim que enxergam as posições que já possuem e assim que fazem suas escolhas.

Escolher líderes setoriais para atuar no controle é um luxo para poucos fundos de participações, mas algo que a Cambuhy pode se permitir com facilidade. A fonte de recursos da gestora é tida como uma de suas vantagens competitivas e que lhe dá agilidade e flexibilidade para seus movimentos.

Além da participação no controle do Itaú Unibanco, a família Moreira Salles – portanto, Pedro Moreira Salles – tem entre as principais fontes de renda a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), dona da maior reserva de nióbio do mundo, em Araxá (MG). Aposta de Walter Moreira Salles, ainda em 1965, quando sequer havia uso já definido para esse minério, a CBMM é apelidada hoje de “mina de dinheiro” por ter cerca de 90% do mercado mundial desse raro e lucrativo metal.

Localizado no prédio contíguo ao restaurante Parigi, na rua Amauri, o pequeno escritório da Cambuhy conta hoje com cinco pessoas na rotina cotidiana, incluindo o presidente Marcelo Medeiros. O número sobe para oito quando são considerados todos os sócios e suas atuações no comitê de investimento.

Quem conhece os sócios da Cambuhy afirma que criar uma “marca” ou ser identificada por um estilo de gestão não é uma preocupação entre eles. O motivo é simples: lá os donos do dinheiro sentam todos na mesa. Como não capta dinheiro no mercado, a gestora pode não se preocupar em ter uma personalidade para “se vender”. Internamente, os sócios gostam de se definir como “adaptativos” – ter um jeito para cada ativo, conforme as necessidades. Mas, para o mercado, a Alpargatas, em função de seu porte, vai inevitavelmente atribuir um selo e dar maior clareza às características de gestão do grupo.

“Compararia eles à antiga 3G, já que eles são donos do próprio dinheiro. A diferença é que não são operadores de companhias. A influência deles se dá de outra forma”, diz um banqueiro que já acompanhou negócios da Cambuhy. A fama de cortadores de custo que Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, da 3G, não é algo que se aplique à Cambuhy, por exemplo.

Essa característica – a concentração dos recursos entre poucos investidores – também é percebida como uma posição de vantagem no mercado: o fundo não precisa ter prazo para retorno aos seus cotistas. “Podemos ficar décadas nos nossos ativos. Não significa que vamos, mas podemos”, costuma explicar Medeiros a quem tem a curiosidade de tentar mapear os objetivos da Cambuhy.

Entre os poucos adjetivos atribuídos à gestora está o de “disciplinada”. Até agora, mesmo sem restrição de recursos, não abriram mão de apenas fazer os negócios nos quais realmente acreditam. A Alpargatas, por exemplo, é namorada por eles desde 2015. Durante todo este tempo não desistiram do ativo, mas souberam esperar o momento certo para a compra.

Para um gestor de fundo de private equity que às vezes cruza com a Cambuhy nos processos competitivos para comprar uma empresa, o modelo faz com que a gestora aceite pagar mais do que outros investidores financeiros.

O investimento da Cambuhy em Alpargatas para a compra do controle será de R$ 875 milhões. Como o fundo propriamente não tem sobra de recursos sem destinação, os sócios farão os aportes, em proporções não reveladas. A divisão do capital da gestora – com Medeiros e Moreira Salles, cada qual com 31,5%, e Bodin e Barbará com 12,5% – não guarda relação com a divisão da aplicação no fundo.

A Brasil Warrant (BW), que reúne o patrimônio da família Moreira Salles, e não apenas de Pedro, fará o investimento em conjunto com a Cambuhy, colocando também R$ 875 milhões. A Itaúsa, por sua vez, colocará os outros R$ 1,75 bilhão no negócio, de forma que o controle fique igualmente dividido – em participações e em governança, regida por acordo de acionistas.

Na breve história como gestora de companhias, as atuações em Eneva e Hering estão distantes de formar unanimidade e, para quem já trabalhou com eles, os sócios nem sempre são os acionistas mais simples para se conviver.

O estilo reconhecidamente elegante e discreto dos fundadores não evitou que, em algumas circunstâncias, a gestora fosse considerada “impositiva” em suas ideias, desejos e estratégias para os negócios. A forma de atuar deixou, até agora, a impressão de que podem influenciar diretamente a gestão das companhias, algumas vezes até mesmo deixando de lado a cultura do debate e a busca de consenso genuíno em conselhos.

A vocação para o controle nunca foi tabu para a Cambuhy que, desde o início, apontou o desejo de ser dona das empresas nas quais for investir. Até o momento, exceto pela passagem em Hering, têm atuado como controladora, mas sem precisar ser majoritária isolada.

No caso da Eneva, é a segunda maior acionista, com quase 26%, logo após o BTG Pactual, que possui 36% da empresa. A entrada na companhia foi por meio da compra da antiga OGX Maranhão (atual Parnaíba Gás Natural), que era sócia com uma pequena fatia na ex-MPX. Tornaram-se acionistas relevantes incorporando a Parnaíba na Eneva e adquirindo dívida de credores, convertendo-a em ações na reestruturação financeira.

Assim, conquistaram relevância inclusive política na gestão do negócio. Além de atuarem no conselho de administração, tiveram influência direta no processo de seleção do presidente da empresa, Pedro Zinner, filho de Tomas Zinner (ex-presidente do Unibanco), e antes diretor de relações com investidores da empresa.

Em Hering, a despeito de Medeiros se manter membro do conselho de administração da varejista, a posição como terceira maior acionista, com quase 10% do capital, durou apenas cerca de um ano. Tem agora menos de 5% e a fatia nem é mais citada nos documentos da varejista. Não houve conflito com a família Hering, que detém perto de 20% da empresa e mantém-se no comando, mas também não houve influência.

Mesmo assim, a Cambuhy também não se alinhou aos demais acionistas de mercado da empresa, na tentativa de mudar características ainda familiares na condução do negócio, o que decepcionou outros investidores – que esperavam que Cambuhy e Gávea (outra sócia relevante) seriam forças de renovação na empresa.

Conhecida por falar de planos ambiciosos para os negócios, a gestora vê a Eneva como uma grande plataforma de energia para crescimento nesse mercado no Brasil. Em Alpargatas, a motivação é a aposta que existe muito espaço para fora do Brasil a ser explorado, com destaque para o mercado asiático. Daí a percepção de que são diferentes dos fundos típicos de participação, que ficam entre cinco e oito anos nos negócios, no máximo.

No caso de Alpargatas, os sócios todos já se conhecem. Desde 2008, convivem no controle do Itaú Unibanco. A expectativa é que essa vivência de quase dez anos entre Moreira Salles e Setubal torne tudo tranquilo. Mas o que os investidores da calçadista querem mesmo é a ver a capacidade de gestão dos negócios e, portanto, de geração de riqueza.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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