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10/08/2017

Afetada por câmbio, Oi tem prejuízo quatro vezes maior

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Por Rafael Rosas, Heloisa Magalhães e Rodrigo Carro | Do Rio

Em meio ao processo de recuperação judicial e à expectativa de uma operação de aumento de capital, a Oi divulgou ontem o balanço do segundo trimestre, no qual apresentou prejuízo de R$ 3,27 bilhões, quase quatro vezes maior em relação às perdas de R$ 658 milhões registradas no segundo trimestre do ano passado.

O prejuízo no segundo trimestre foi causado principalmente pelo impacto do câmbio no resultado financeiro da companhia pois, desde que entrou com pedido de recuperação judicial, em junho de 2016, a Oi desmontou as operações de hedge.

A receita líquida da companhia no segundo trimestre foi de R$ 5,84 bilhões, queda de 10,5% ante os R$ 6,52 bilhões do segundo trimestre de 2016. Para o presidente da Oi, Marco Schroeder, a queda da receita é reflexo do investimento menor feito no passado.

“Tivemos um gap no investimento nos últimos dois a três anos frente às concorrentes. Para compensar, teremos que acelerar o capex [investimento] nos próximos trimestres”, disse Schroeder ao Valor. Entre abril e junho, os investimentos da empresa atingiram R$ 1,23 bilhão, 1,1% a mais que um ano antes.

O executivo lembrou que no segundo trimestre a companhia investiu 21% da receita, patamar acima das concorrentes, mas ressaltou que, para compensar o gap dos últimos anos, deverá atingir um investimento anual de R$ 7 bilhões em quatro anos. Para 2017, o aporte esperado é de R$ 5 bilhões.

Schroeder ressaltou ainda que a queda da receita entre abril e junho foi compensada por uma expressiva redução de custos, que atingiu R$ 687 milhões no segundo trimestre. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, uma alta de 10,8% ante R$ 1,44 bilhão em igual intervalo de 2016.

A expectativa do mercado é que a companhia convoque até o fim do mês a assembleia de credores para analisar o plano de recuperação. Essa assembleia deve ocorrer no início de outubro. Uma demanda que fontes esperam que seja resolvida antes da assembleia é a liminar obtida pelo China Development Bank no Tribunal de Justiça do Rio, que não permite um acordo com os pequenos credores.

A decisão impede que a Oi pague até R$ 50 mil aos credores, o que seria suficiente para que restassem 2 mil nomes na lista, hoje em 55 mil. O custo dessa operação seria de cerca de R$ 400 milhões. A Oi iniciou o cadastramento de credores no Rio e deve cadastrar também os de outras cidades do país, mas não pode fechar acordos.

A Oi continua a conversar com o grupo liderado pelo fundo de investimento TPG, informou fonte a par do assunto, mas no curto prazo há pouca possibilidade de investimento na operadora tanto por parte do TPG quanto de seus parceiros, as fabricantes de equipamentos Huawei e ZTE. Segundo a fonte, as duas empresas chinesas ajudam a TPG a entender o mercado brasileiro com o objetivo de, no futuro, serem fornecedores privilegiados da Oi. Por meio da assessoria, a Huawei disse que não tem interesse em adquirir a operadora.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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